Conventions & Visitors Bureaux e sua Formação no Brasil – PARTE II

OS CVBX NO CENÁRIO INTERNACIONAL

Pode-se afirmar que a origem dos CVBx está diretamente associada à revolução Industrial, cujo ápice ocorreu a partir da segunda metade do século XIX, período que caracterizou-se pela substituição do trabalho artesanal pelo industrial. As fábricas eram capazes de produzir em larga escala e os excessos de produção acumulavam-se. As exposições comerciais, que já existiam na Idade Média, apresentavam-se como excelentes estratégias para o escoamento dessa produção excedente (Matias, 2010). Agrega-se a esta perspectiva o pensamento de Spiller (2002), trazido por Davidson e Rogers (2006) sobre o cenário que se configurava nesse momento histórico e as suas implicações para os deslocamentos profissionais. Spiller (2002) observa que, durante o final do século 19 e início do século 20, como a industrialização se espalha através de os EUA e a Europa Ocidental, a necessidade de reuniões entre líderes empresariais e outros empresários se materializou, somando-se ao número de pessoas que já se reuniam para discutir e trocar ideias políticas, religiosas, literárias, recreativas e de outros temas variados. Avanços na tecnologia de transporte durante o mesmo período, combinado com o aumento dos níveis de prosperidade para as crescentes classes médias e o surgimento das profissões em muitos países, criou uma sociedade mais móvel em que viajar para conferências tornou-se uma atividade cada vez mais frequente para muitos (p. 2).

Nesse cenário de proliferação de eventos nos Estados Unidos e Europa, durante a Revolução Industrial, um jornalista recém-chegado a Chicago (EUA) redigiu um provocador artigo. Este, que pode ter uma tradução livre de ‘Juntos lucramos mais!’, foi publicado na primeira página do The Detroit Jornal. Assim, Milton Carmichel questionava a passividade dos empresários dessa cidade estadunidense face às oportunidades geradas com a realização desses acontecimentos. Ele sugeriu “que os homens de negócios locais se reunissem para promover a cidade como um destino de convenções e para representar seus vários hotéis a fim de prospectarem negócios” (Gehrisch, 2005, p.xxv, tradução nossa). Ao longo dos últimos anos Detroit construiu fama de cidade de convenções. Visitantes vêm de milhares de quilômetros de distância para participar de eventos empresariais. Fabricantes de todo o país usam nossa hotelaria para promover reuniões onde discutem os temas de seus interesses, mas tudo isso sem que haja um esforço por parte da comunidade, nem uma ação que vise dar-lhes algum apoio durante sua estadia entre nós! Eles simplesmente vêm para Detroit porque querem ou precisam! Será que Detroit, através de um esforço conjunto, não conseguiria garantir a realização de 200 ou 300 convenções nacionais ao longo do próximo ano? Isso significaria a vinda de milhares e milhares de pessoas de todas as cidades americanas, que gastariam seus dólares no comércio local, beneficiando a população da cidade, aquecendo a economia e permitindo que toda a comunidade empresarial obtenha melhores resultados em seus respectivos negócios. Não será mais inteligente agir em conjunto pelo bem comum, do que desgastar-se num esforço inútil para obter vantagens para seu próprio negócio? Os empresários precisam entender que concorrente não é inimigo, precisam aprender a colocar o desenvolvimento da cidade antes mesmo do crescimento de seus próprios negócios (Carmichel, 1896, p. 1 apud Carvalho, 2013, pp. 49-50).

Um ano após a referida publicação, foi fundada a Detroit Convention and Businessmen’s League ou, a Liga de Homens de Negócios e Convenções de Detroit, formada pelos empresários de turismo da cidade. Sua missão era atrair os eventos profissionais para o destino. Ela teve como primeiro dirigente o próprio jornalista (Markarian, 1989, p. 5). Nota-se o êxito da iniciativa de Detroit. Desta maneira, cria-se em 1914 uma entidade representativa de organismos similares que haviam se formado em outros destinos norteamericanos. A International Association of Convention Bureaus (IACB), ou em português, Associação Internacional de Escritórios de Convenções, inicia com 12 escritórios. Balizam-se suas ações por objetivo em desenvolver um código de ética para que os membros seguissem em seus bureaux e na solicitação de eventos. Dentre as proposições desse documento podem ser destacadas: estabelecer a troca de informações entre os sócios; formalizar a aprovação de taxa de adesão à organização e garantir o comprometimento dos sócios de não se utilizar da prática de subvenções como estratégia de atração de eventos (Markarian, 1989). Estratégias para atração de turistas de lazer também foram incorporadas às atividades dos bureaux. Por esse motivo, vários deles agregaram a terminologia visitors4 ao nome original, ou seja, o termo ‘visitantes’. Embora, as 18 cidades representadas na primeira reunião de fundação dessa entidade global fossem todas localizadas nos Estados Unidos, a ideia também se propagou por outros países a partir do início do século XX, em especial no Canadá (Flynn & Flynn, 1996, p.2).

Segundo Cerda (2005), o México teve seu primeiro escritório fundado somente em 1969 em Guadalajara e, o segundo, na cidade do México em 1971. Só no meio dos anos 1970 aparecem os CVBx de Acapulco, Puerto Vallarta e Cancun (Cerda, 2005).

Quanto à fundação dos primeiros CVBx na Europa, os documentos e as bibliografias disponíveis apontam para algumas divergências. A Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureau (CBCVB) registra em seu website a criação do London Convention Bureau em 1905. No entanto, Tony Rogers, Chief Executive Officer (CEO), ou, em português, Diretor Geral da British Association of Conference Destinations (BACD) (Associação Britânica de Destinos de Conferências) define essa fundação somente em 1980. As origens dos CVBs e das organizações de marketing de destinos no Reino Unido podem ser ligadas diretamente a Bristish Association of Conference Destinations (BACD). A BACD originou-se como British Conference Towns (BACT) em 1969, como um filho bastardo de um pequeno grupo de profissionais de marketing de destinos que viram benefícios em colaborar mutuamente para gerar e indicar negócios de conferências entre eles […] Os primeiros CVBs do Reino Unido foram fundados no início dos anos 80: London em 1980 e Birmingham em 1982. Na mesma década, muitas cidades que previamente possuíam fortes heranças industriais e de manufaturas começaram a olhar para o turismo e todos os seus serviços agregados como forma de regenerar suas economias. […] O efetivo impulso para o estabelecimento dos CVBs deu-se tanto pelo desejo de envolver o setor privado no marketing dos destinos como pela necessidade de gerar novos fundos e receitas já que os recursos do setor público diminuíam (Rogers, 2005, p. 246, tradução nossa). Pode-se também observar outras datas acerca da criação de Convention Bureaux europeus em operação. Nota-se que as cidades igualmente importantes no cenário turístico mundial, tem suas fundações somente a partir do final dos anos 1960. Dentre eles pode-se destacar: Vienna Convention Bureau (VCB) criado em 1969 (VCB, 2012); Office de Tourisme et Congrès de Paris (OTCP) (ou Escritório de Turismo e Congresso de Paris, em português), em 1971 (OTCP, 2012) e Barcelona Convention Bureau (BCV) em 1983, ‘o pioneiro na Espanha’ (Barcelona Turisme, 2012). No continente europeu alguns escritórios assumem forma de departamentos ou fundações encarregados unicamente da prospecção de eventos profissionais, denominados Convention Bureaux (sem incluir a palavra visitors). Estes se subordinam aos órgãos oficiais, e promovem todos os segmentos turísticos de uma região (Rogers & Martin, 2011). Esse é o caso de Viena, Paris, Barcelona e Londres. Assim: “O Vienna Convention Bureau foi estabelecido em 1969 como um departamento da Diretoria de Turismo de Viena com o apoio da Prefeitura de Viena e a Câmara de Comércio de Viena e fundos adicionais vem de patrocinadores (VCB, 2012, tradução nossa)”.

Na América do Sul, no Brasil registrou-se o pioneirismo desse tipo de entidade. A Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureau (FBCVB) menciona a fundação da primeira delas em 1983, na cidade de São Paulo, seguindo-se o CVB do Rio de Janeiro, no ano posterior (FBCVB, 2008, p.31).

Na Argentina, na ordem cronológica de criação, destaca-se o Buró de Convenciones de Mar del Plata (BCMP), fundado em 1996 e se estabelecendo como o primeiro deste país. Desta maneira, Ásia e América Latina organizaram seus bureaux mais tarde, ou seja, por volta da década de 1980 (FBCVB, 2008; ALACVB, 2013). Ainda neste período surgem CVBx em maior número na Argentina, no Chile, na Colômbia, no Uruguai e no Equador (ALACVB, 2013). Nesses países é frequente encontrar a nomenclatura Buró de Convenciones (Escritório de Convenções, em português), Oficina de Congressos y Convenciones (Escritório de Congressos e Convenções) e seus similares, tal como em: Oficina de Congresos y Convenciones de Quito, Oficina de Congresos y Visitantes de Guadalajara, Buró de Convenciones de Bogotá. Em 2013, registravam-se os seguintes países com o maior número de CVBx instalados: Brasil (95), México (56), Argentina (26), Chile (seis) e Colômbia (três) conforme apontado na Figura 3 (Associação Latina Americana de CVBx, 2013). Nota-se ainda que Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá, Costa Rica, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela registram a existência de um único bureau.

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A Destination Marketing Association International (Dmai), que substituiu a International Association Of Convention &amp; Visitors Bureau é a organização que mais possui CVBx associados, sendo estes procedentes de todo o mundo. Esta renomeação se realiza a partir de 2002 (DMAI, 20131). Atualmente, estas instituições têm um universo de mais de 3.000 profissionais, provenientes de 600 destinos e mais de 20 países (DMAI, 2011).

O DESENVOLVIMENTO DOS CVBX NO BRASIL

A propagação do conceito dos CVBx no Brasil foi realizada por agentes turísticos brasileiros, pertencentes a iniciativa privada e atuantes no mercado internacional. Alguns deles participavam de eventos de entidades associativas que reuniam organizações de diferentes países, tais como International Congress and Convention and Association (ICCA). Eles trouxeram para os governantes e demais empresários locais, a sugestão de implantação de um CVB no Brasil. Nesse grupo de entusiastas dos bureaux, destaca Mayer Ambar – proprietário da Bel Air Viagens e sócio da ICCA – que, por sua vez, motivou a Carlos Eduardo Jardim, que atuou como diretor de marketing da Embratur (na época, Empresa Brasileira de Turismo, hoje Instituto Brasileiro de Turismo) no período de 1974 a 1979. Na Embratur, durante a gestão seguinte à que integrou Jardim, presidida por Miguel Colasuonno, o assunto CVBx voltou à tona. Com a posse de Francisco Havas na Coordenação do departamento encarregado da captação de congressos nacionais e internacionais, houve a necessidade de ordenar essa atividade (Schilling, 2013). Para impulsionar a criação do CVB em questão, optou-se pela contratação de uma consultoria.

O modelo adotado pelo Rio Convention Bureau foi europeu. A diferença na concepção entre os norte-americanos e os europeus é retratada por Eduardo Graça Aranha, encarregado do Plano de Negócios do Convention Bureau do Rio de Janeiro. Assim, este consultor dirigiu-se a Europa. Primeiramente, a Inglaterra para conhecer o Convention de Londres que era citado como o grande paradigma do mercado mundial. Nele, realizava-se na época, um volume considerável de captação de eventos corporativos extremamente expressivos. A não inclusão dos EUA no roteiro – a grande fonte de marketing naquela época – foi entendida, por esta ter como modelo um foco maior a valorização dos visitantes nas localidades e principalmente fundada em grande parte na atração de pessoas físicas (turistas individuais). Os atores sociais do Rio de Janeiro buscavam a essência do Convention, ou seja, da captação dos eventos, o mercado de eventos, como os congressos e as convenções. A experiência europeia que seria muito mais própria no caso do que a dos Estados Unidos (Schilling, 2013). No entanto, apesar de toda a movimentação dos empresários da capital fluminense, foram os paulistanos que conseguiram fundar o primeiro CVB brasileiro.

Nesse outro destino, a iniciativa também teve liderança do poder público, representada por João Dória Junior, presidente da Companhia Paulista de Turismo S.A (Paulistur) – órgão oficial de turismo da cidade de São Paulo – entre 1983 e 1986. Rui Carvalho (2013) também comenta a visão de Aristides Cury sobre esse início dos CVBx. […] a ideia de montar um CVB no Rio de Janeiro teria surgido de conversas entre a diretoria da Varig, interessada em aumentar a ocupação de seus voos internacionais, com clientes de eventos e a Presidência da Embratur, que já vinha estudando essas entidades no exterior. Na época, ambas as empresas tinham sede no Rio de Janeiro. Reuniram-se os recursos necessários e a estruturação do projeto teve início. Entretanto, o presidente da Embratur nesse período (1980 – 1985) era Miguel Colasuonno, ex-prefeito de São Paulo, que teria comentado seus planos com alguns empresários paulistas, antes mesmo que o Rio tivesse tempo de viabilizar o seu convention.[…] Assim, embora no Rio a entidade já funcionasse de maneira informal […] o seu estatuto só foi registrado em junho de 1984, abrindo-se a brecha para que o CVB paulista saísse na frente, consumando o registro em novembro de 1983. Tornou-se assim, oficialmente e por direito, o primeiro CVB brasileiro (p. 63) A fundação do São Paulo Convention &amp; Visitors Bureau ocorreu em 1983. Esta entidade utiliza como modelo o CVB de Chicago, onde Ana Maria Marcondes Ferraz, grande colaboradora desse processo, mantinha contato constante por ocasião da elaboração de sua tese. No ano seguinte, foi fundado o CVB do Rio de Janeiro. O pioneirismo continental deflagrado pelos empresários paulistas e fluminenses fez com que houvesse uma multiplicação de CVBx no território nacional nos anos seguintes. Rui Carvalho (2013) registra a fundação dos seguintes CVBx na sequência daqueles dois primeiros, de acordo com a data de registro de seus estatutos sociais: Blumenau (1992), Teresópolis (1994), Brasília e Fortaleza (1996, nessa ordem), Salvador (1996), Joinville, Cabo Frio, Florianópolis, Petrópolis, Porto Alegre, Florianópolis, Maceió e Belo Horizonte (1997, na sequência cronológica). O direcionamento das atividades desses primeiros CVBx brasileiros para o segmento de negócios e eventos, amparou-se na maior rentabilidade proporcionada pelos turistas profissionais sobre aqueles motivados pelo lazer, tal como comenta Schilling (2013): A certeza de que o retorno financeiro obtido com Convention, era muito maior do que com o Visitors, foi intensamente reforçada por Gérard Bourgesaieu e apoiada em um estudo fornecido pelo Convention Bureau de Londres, que mostrava a média diária de gasto de uma pessoa participando de convenções em Paris ou Londres e outra pessoa fazendo turismo por conta própria. A diferença era enorme. O fluxo de caixa gerado pela primeira era bem superior ao da segunda (pp.45-46) Então, tal como os primeiros bureaux norte-americanos e os bureaux europeus, os brasileiros também passaram a dedicar-se prioritariamente à prospecção de eventos profissionais. Essa situação persiste até os dias atuais. Situação observada quando 67% dos representantes dos CVBx declararam no Censo Brasileiro de CVBx de 2011 que identificaram como foco de trabalho principal o Convention (os eventos) em detrimento de visitors (posicionamento com a visitação da localidade por turistas individuais), com apenas 33% das menções (CBCVB, 2012). Assim, inclusive profissionaliza a entidade, especificando-as, mas diminuindo seu papel no turismo geral.

No final dos anos 1990, os dirigentes dos primeiros CVBx brasileiros uniram-se em um fórum, denominado Fórum Brasileiro de CVBx (FBC&amp;VB). O mesmo, tratava-se de uma organização informalmente constituída, com reuniões esporádicas, agendadas preferencialmente durante as feiras de turismo do calendário nacional, às quais os representantes dos CVBx integrantes do Fórum compareciam. Em 1999 esta organização foi formalizada. No seu estatuto social, destacam-se vários objetivos, dentre os quais: discutir problemas comuns enfrentados na implantação e operacionalização das ações dos bureaux; defender seus interesses; possuir maior representatividade política (FBCVB, 1998). Carvalho (2013) comenta esse período da história dos CVBx brasileiros.

A história dos CVBx no Brasil, entretanto, pode ser dividida em dois momentos muito distintos: antes e depois de 1998. […] [quando se registrou um crescimento exponencial do número de CVBx na história, verificado a partir daquele ano,[que] não tem paralelo na história. Senão vejamos: não é impressionante que até 1998 o Brasil contasse com apenas catorze CVBx, e que nos dez anos seguintes esse número tivesse superado a marca dos 100? Um aumento de 650% numa década? Algo estava mudando no cenário do turismo brasileiro, e era algo tão importante quanto irreversível,: o turismo, embora insipiente, começava a deixar as colunas sociais para ocupar os cadernos de economia dos principais veículos da mídia (p. 65). No ano de 2003 há registros da existência de 23 CVBx brasileiros (CBCVB, 2010), mas verificase um novo crescimento desse perfil de entidades no Brasil a partir desse ano. Isso porque, com a criação do Ministério do Turismo, houve um reposicionamento da missão e dos objetivos da Embratur, que então passou a ser encarregada unicamente da promoção do Brasil no exterior. Desta maneira, o Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur) passa a ser uma autarquia especial do Ministério do Turismo: […] responsável pela execução da Política Nacional de Turismo no que diz respeito à promoção, marketing e apoio à comercialização dos destinos, serviços e produtos turísticos brasileiros no mercado internacional.[…]. Teve sua atribuição direcionada exclusivamente para a promoção internacional a partir de 2003, com a criação do Ministério do Turismo (Brasil, 2012). Entretanto, o novo foco da Embratur foi acompanhado de uma reestruturação em suas diretorias e coordenações gerais. O seu organograma passou então a incluir uma Diretoria de Turismo de Negócios e Eventos e uma Diretoria de Lazer e Incentivos, focadas na prospecção de turistas profissionais e de lazer, respectivamente, com estratégias e parceiros diferenciados (Embratur, 2006). Carvalho (2013) cita quais os diretores de CVBx que foram então deslocados para a autarquia: como presidente foi empossado Eduardo Sanovicz – outrora diretor executivo do São Paulo Convention &amp; Visitors Bureau – na Diretoria de Negócios e Eventos e na Diretoria de Lazer e Incentivo, duas outras executivas de CVBx foram chamadas: Jeanine Pires – ex diretora executiva do Recife Convention &amp; Visitors Bureau – e Vera Sanches – superintendente do Brasília Convention &amp; Visitors Bureau – respectivamente.

O autor destaca ainda executivos de outros CVBx (Florianópolis, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre) que passaram a ocupar postos menores na hierarquia do órgão e no Ministério do Turismo e agrega: Na composição de sua equipe, Sanovicz acabou por desfalcar alguns convention, mas também deixou clara qual era sua intenção. A partir daquele momento, a Embratur passou a estabelecer uma sinergia inédita com a FBCVB, sinergia essa que possibilitou a convergência de ideias e projetos para ajudar a promover o turismo brasileiro em bases mais racionais e com o respaldo que a enorme representatividade de uma entidade como a Federação de CVBx permitia. (Carvalho, 2013, p.76).

Ainda em 2003, o Fórum Brasileiro de CVBx se converteu em Federação Brasileira de Convention &amp; Visitors Bureau (FBCVB), organização então constituída formalmente por “entidades denominadas Convention &amp; Visitors Bureau instaladas no território nacional” (CBCVB, 2010). Assim, com vários profissionais oriundos de CVBx na condução das estratégias promocionais da Embratur, e com a conversão do antigo fórum em Federação, pôde-se concretizar uma efetiva aliança entre as duas organizações.

A FBCVB passou a celebrar com o governo federal vários convênios focados na promoção do país no exterior (CBCVB, 2013a). A entidade ganhou também grande projeção no cenário nacional, integrando inclusive o Conselho Nacional de Turismo, órgão consultivo do então recém-criado Ministério do Turismo (Brasil, 2013).

De 2005 para 2006 a rede brasileira de CVBx (A Confederação Brasileira de CVBx considera Rede Brasileira todos os CVBx legalmente constituídos existentes no cenário nacional, sejam eles seus associados ou não. (CBCVB, 2013) registrou um crescimento em torno de 60%, chegando nesse último ano a reunir 70 organizações, segundo o Censo Brasil CVBx de 2009 (CBCVB, 2010). No entanto, para que a Federação adquirisse maior representatividade no cenário nacional houve um estímulo por parte de seus dirigentes à formação de novos CVBx, em todas as regiões brasileiras. Isso porque, havendo mais de dois representantes em um estado, poderiam ser formadas federações estaduais e a entidade brasileira poderia converterse em confederação. Por conta dessa motivação, verificou-se uma verdadeira multiplicação de CVBx, encerrando o ano de 2007 com 105 entidades fundadas e instaladas na maioria dos estados do Brasil, apontando um crescimento de 50% em apenas um ano segundo mostrado no mesmo estudo (CBCVB, 2010).

Situação semelhante a esse desenfreado movimento de fundação de CVBx pode ser observada em outros países. Elda Cerda, ex-diretora executiva do México Convention Bureau relata o movimento ocorrido no México entre 1995-2005. A referida autora aponta também os problemas advindos com esse crescimento. Aproximadamente 40 CVBs foram criados no México nos últimos dez anos. Entretanto, apesar do crescimento, alguns deles não tem um foco claro de sua missão, ou seja, se seus esforços devem ser direcionados para promover o destino em geral, ou se eles devem focar no turismo de lazer ou ainda no turismo de negócios. Parece que criar e iniciar atividades de um CVB é como replicar estratégias comerciais, sem uma análise profunda e profissional dos “porquês” e “para quês” da sua existência, considerando as características do destino: atrações, infraestrutura e serviços, hotéis, transportes, restaurantes e locais para eventos. Os dois objetivos que são realmente claros para os CVBs são a geração de pernoites e o desenvolvimento econômico do destino (Cerda, 2005, pp. 263-264, tradução nossa).

Mas a estratégia de aumento de representatividade estimulada pela FBCVB obteve resultados satisfatórios, segundo seus dirigentes. Os CVBx proliferaram-se pelo país e os que já tinham um número expressivo de pares no estado passaram a organizar-se em Federações Estaduais (CBCVB, 2010). Em 2005, existia a base necessária – oito federações estaduais – para que a então Federação Brasileira, pudesse ser convertida em Confederação Brasileira de Convention &amp; Visitors Bureaux (CBCVB), “constituída exclusivamente por entidades que atuem como Federações de Convention &amp; Visitors Bureaux de âmbito nacional ou estadual” (CBCVB, 2012). Importante ressaltar que a CBCVB possui finalidades institucionais. Assim, não é sua atribuição a promoção do país ou das localidades das federações associadas como destinos ideais para turismo profissional. A entidade tem na missão: a representação, gestão e fortalecimento de redes de CVBx. O seu negócio principal – segundo a entidade divulga em seu website – está centrado na representação das “Federações Estaduais de CVBx, promovendo e apoiando ações que visem o fortalecimento e o alinhamento estratégico da rede brasileira de CVBx” (CBVB, 2012).

Não há muitos dados quantitativos ou qualitativos exatos sobre os CVBx brasileiros em atuação efetiva no mercado. Muito embora o website da CBCVB registrasse 95 CVBx no Brasil em 29 de fevereiro de 2012, em virtude de a adesão a essa organização ser voluntária (CBVB, 2012), há CVBx formalmente registrados que não são associados. O exemplo mais significativo desse cenário é o do São Paulo CVB (SPCVB) que não faz parte da mesma (CBCVB, 2012). Há, ainda, casos de CVBx formalmente registrados e que aparentemente não possuem sedes ou equipe de trabalho. Isso porque, o Governador Valadares CVB, Campos das Vertentes CVB, embora constassem no referido website, em 21 de junho de 2013 apresentavam como contato e-mails pessoais de seus dirigentes (CBCVB, 2013).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise dos vários aspectos relativos aos bureaux realizada neste ensaio permite que identifique-se um modelo de organização, que apesar de não ter uma conceituação única possui várias características comuns. As variações derivadas das adaptações às realidades locais são necessárias, por serem entidades complexas e que abrangem várias áreas de atividade. No entanto, ao adotarem uma nomenclatura similar ou até idêntica, ainda que traduzida para diferentes idiomas – Convention &amp; Visitors Bureau, Buró de Convenciones ou Oficina de Congressos – os CVBx transmitem ao mercado uma mensagem de pertencimento a um mesmo grupo. Dessa forma, pode até ser confundido com uma franquia, um modelo de negócio que envolve licenças de direitos de uso de marca e distribuição de produtos ou serviços idênticos com ou sem exclusividade (BRASIL, 2013a).

Poderá ser através da expectativa de que essas entidades sejam uma franquia que os compradores de destinos, os consumidores dos serviços e estruturas turísticas recorrerão ao CVB. Soma-se a isso, a ampla lista de atores que compõem o seu público-alvo, e que possuem necessidades e desejos específicos. Mas o universo dos CVBx é mais informal. A CBCVB registrou em 2007 a marca Convention &amp; Visitors Bureau para uso no território nacional – obrigando a todos que desejem utilizá-la a submissão de um processo de autorização. Só que, à época, mais de 100 CVBx já haviam sido legalmente constituídos e não havia quaisquer licenças nem direitos de uso de marca envolvidos. Qualquer destino, podia a qualquer momento criar um CVB, desde que houvesse uma iniciativa privada organizada, principalmente uma hotelaria consistente que permitisse a arrecadação da room tax facultativa, principal forma de viabilização dos CVBX. A legislação para a abertura de CVB deve seguir o ordenamento jurídico brasileiro segundo a sua forma, ou seja, caso este seja uma Fundação há uma legislação específica, o mesmo ocorrendo para Instituto ou OSCIP. O que difere basicamente é o controle da entidade, uns pelo Conselho Fiscal da mesma e a OSCIP tem a participação do Ministério Público na prestação de contas. Quanto a utilização da marca nada há de legislação que a vincule a CBC&amp;VB e deve obedecer às normas do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI. Mas não há regras ou normativas que definam quais os serviços a serem prestados, ou algum processo de aferição da qualidade dos mesmos. Por esse motivo, os serviços disponibilizados podem ser bem variados (Moreira, 2013 ). Só que, à época, desse registro, mais de 100 CVBx já haviam sido legalmente constituídos e não havia quaisquer licenças, nem direitos de uso de marca envolvidos (FBCVB, 2008). Além disso, como comentado pelo próprio ex-presidente, ele não envolve normativas, e padrões de serviços. Por esse motivo, os serviços disponibilizados podem ser bem variados. Ora, podendo então ser tão diversificados, e ostentando o mesmo nome, traz-se então, a reflexão sobre a necessidade de criarem-se diferenciações entre os bureaux brasileiros e as suas respectivas capacidades de atendimento da demanda. Seria oportuno pensar-se em classificá-los por quantidade e qualidade de serviços ofertados ou por categorizá-los por nível de desenvolvimento? Não seria fundamental estabelecer parâmetros mínimos, uma normatização para o enquadramento dessas entidades como efetivos bureaux? Ou ainda, definir condições básicas para sua fundação? Trata-se de uma reflexão necessária com vistas ao melhor entendimento do mercado sobre o perfil e o futuro dessas organizações, o que ainda deve ser melhor explorado, tanto pelo mercado como pelos estudos acadêmicos.

Créditos:

Vaniza de Lima Schuler , Pedro de Alcântara Bittencourt César

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