EM BÚZIOS, UMA FÁBRICA DE ARTE EM PAPEL MACHÊ

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Breve, duas mulheres esculpidas em papel machê, em tamanho natural, estarão expostas no Museu dos Biquínis, na Alemanha. Para um dos mais modernos shoppings de Miami, vão sete cadeiras coloridas, parecidas com as que já estão em shoppings de Nova York. As peças já estão prontas para despacho no Atelier Ivone R, que fica na subida da Igreja de Santana em Búzios. Aos 78 anos, Ivone Vieira Calmon, uma gaúcha de Porto Alegre, não pára. Tem projetos para o futuro no atelier – e fora dele, onde produz as peças com uma técnica única que mistura papel machê (massa feita com papel picado embebido na água, coado e depois misturado com cola e gesso), material que usa para fazer belas esculturas e peças que encantam os turistas.

As obras de Ivone, que ficam na frente do seu atelier e em vários pontos de Búzios, são diariamente alvo das lentes e celulares dos turistas. Muitos deles chegam, aos milhares, no cais do Porto Veleiro, onde desembarcam os visitantes, em geral estrangeiros, que chegam nos transatlânticos. Por isso, a arte de Ivone está espalhada pelo mundo, em especial no Caribe. No momento, ela trabalha na reconstrução da imagem de um pescador para substituir a que desapareceu do Centro Cultural Zanine, no Centro de Búzios.

— Os turistas adoram fotografar e comprar peças pequenas, como garfos decorativos e abajures, que ocupam pouco espaço na bagagem. Mas outros encomendam cadeiras e coisas exóticas que saem da cabeça deles, mas gosto mesmo de produzir peças que sabem da minha cabeça – conta Ivone, formada em Ciências Econômicas, quatro casamentos, viúva e apaixonada pela leitura.

Filha de militar do Exército, Ivone expôs pela primeira vez aos nove anos. Pintou ladrilhos que sobraram de uma obra. Começou ali a trajetória no mundo das artes por onde passou. Morou em vários locais: Três Corações, Taubaté, Juiz de Fora, Cabo Frio, Estados Unidos, França e Itália. Conheceu Búzios em 1964 e se apaixonou. Comprou uma casinha em Manguinhos. Mãe de três filhos, do primeiro casamento, ficou viúva do último marido em 95.

— Em 95, fechei tudo no Rio e comprei uma casa de pescador na Travessa Santana 32, na Praia dos Ossos. Lembro que mandei tirar 21 caminhões de lixo. Era um ponto mais central de Búzios, ideal para quem não gosta de ficar sozinha. Como não conseguia ficar parada, montei o atelier. Impossível calcular o número de pessoas que nos visitam. Além dos turistas normais, que passam aqui rumo às praias e restaurantes, de cada transatlântico desembarcam mais de mil pessoas.

Apesar do crescimento desordenado e problemas políticos, Ivone não troca Búzios por lugar nenhum. Ela desenvolveu trabalho voltado para o papel machê nas escolas da rede municipal do balneário e participa ativamente de todos os eventos culturais. Suas obras estão espalhadas por vários pontos, inclusive no Espaço Zanini. Na cabeça, plano para fazer um globo terrestre com papel machê e outros materiais recicláveis:

— Será uma obra de protesto contra esta loucura que o mundo está vivendo, com guerras e matanças.

Durante 12 anos, Ivone fez sucesso como empresária de moda. Hoje, vive da venda das suas obras e do aluguel de apartamentos no Condomínio Ivone R. Os livros foram sempre seus fieis companheiros nas horas de solidão (ela tem dois filhos no Rio e o terceiro em Los Angeles, nos Estados Unidos). Ela não é obrigada, mas gostaria de votar para presidente e para governador, mas ainda não escolheu candidatos que, em sua opinião, posam mudar a educação e o futuro do país e do Estado do Rio:

— Não sei o que vai ser deste mundo. As mães não têm educação e não sabem como educar os filhos. Serão precisos pelo menos 50 anos para mudar este país, com educação – concluiu.

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