SAMBAS-ENREDO DO GRUPO ESPECIAL JÁ DEFINEM A TRILHA DO CARNAVAL 2027

Publicado por Luana Maia em 7 de outubro de 2026

carnaval no rio

O Carnaval do Rio de Janeiro já tem a trilha sonora que acompanhará os desfiles do Grupo Especial em 2027. As 12 agremiações que integram a principal divisão do Carnaval carioca definiram ou apresentaram oficialmente seus sambas-enredo, que levarão para a Marquês de Sapucaí histórias relacionadas à cultura brasileira, ancestralidade, religiosidade, literatura, personagens históricos e memória do samba.

A programação reúne diferentes perspectivas sobre a identidade brasileira e a cultura popular. Os sambas também destacam questões como resistência, liberdade, educação, religiosidade de matriz africana e valorização da memória.

A União de Maricá levará para a Avenida o enredo “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”, dedicado ao antropólogo, educador e escritor brasileiro. A obra percorre aspectos de sua trajetória intelectual e política, além de destacar suas ideias sobre educação, sociedade e construção de um projeto de país mais igualitário.

A Beija-Flor de Nilópolis apresentará “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, inspirado na trajetória da pajé paraense Zeneida Lima. O enredo aborda sua relação com a cultura amazônica, a espiritualidade e os saberes tradicionais, conectando essas referências à identidade da escola de Nilópolis.

Com “Ciata – A Mãe Preta do Samba”, o Paraíso do Tuiuti homenageará Tia Ciata, figura fundamental para a história do samba e da cultura afro-brasileira. O enredo percorre sua trajetória e sua importância para a formação de espaços de resistência cultural no Rio de Janeiro, além de abordar a religiosidade e os costumes da população negra na cidade.

A Unidos de Vila Isabel levará à Sapucaí “Torto Arado: Sobre a Terra Há de Viver Sempre o Mais Forte”, inspirado no romance de Itamar Vieira Junior. O samba aborda temas presentes na obra literária, como a luta pela terra, a ancestralidade, a desigualdade e a força das mulheres, além da relação entre comunidade, trabalho e território.

A Mocidade Independente de Padre Miguel apresentará “Latinamente Independente – Nosso Norte é o Sul em Remanifesto”. O enredo propõe uma reflexão sobre a identidade latino-americana e as relações históricas entre os povos do continente, com referências à resistência, à soberania e à valorização das culturas originárias.

carnaval no rio

A Unidos da Tijuca desfilará com “A Cabeça do Santo”, inspirado no livro de Socorro Acioli. A narrativa combina religiosidade, cultura popular e elementos do sertão nordestino para apresentar uma história marcada pela fé, pela busca por respostas e por referências a personagens e tradições populares.

O Acadêmicos do Salgueiro levará para a Avenida “Laroyê Xica da Silva: A História por Trás da História”, revisitando a trajetória de Xica da Silva e questionando as representações construídas ao longo do tempo sobre a personagem histórica. O samba destaca identidade, ancestralidade, protagonismo feminino e resistência negra.

A Imperatriz Leopoldinense apresentará “A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia”, enredo relacionado às tradições do Xambá e às manifestações culturais e religiosas de Pernambuco. A narrativa reúne memória, ancestralidade e religiosidade em uma história marcada por rituais e pela preservação de tradições afro-brasileiras.

A Portela homenageará um dos grandes nomes de sua história com “Ao Mestre, com Carinho”. O enredo celebra Monarco, importante compositor e integrante da Velha Guarda da escola, resgatando sua trajetória, sua ligação com Madureira e Oswaldo Cruz e seu legado para o samba portelense.

A Unidos do Viradouro levará para a Sapucaí o enredo “Griô”, inspirado na tradição dos guardiões da memória e dos conhecimentos transmitidos entre gerações. O samba valoriza a oralidade, a ancestralidade africana e o papel das narrativas na preservação da história e da identidade cultural.

A Acadêmicos do Grande Rio apresentará “Sankofa Tabon, Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”. A escola abordará a história dos africanos que retornaram à região da Costa do Ouro, atual Gana, após terem sido levados para as Américas, destacando os vínculos entre Brasil e África, a ancestralidade e a busca pela liberdade.

Encerrando a relação das agremiações do Grupo Especial, a Estação Primeira de Mangueira levará “Oyá por Nós”, dedicado a Oyá, também conhecida como Iansã. O enredo explora atributos associados à orixá, como força, movimento, transformação e enfrentamento, além de abordar a presença das religiões de matriz africana e o protagonismo feminino.