
Os turistas estão cada vez mais interessados em experiências que transmitam equilíbrio, autenticidade e conexão humana. A mudança também aparece na comunicação das marcas do setor, que passam a substituir imagens excessivamente produzidas por registros mais espontâneos e capazes de gerar identificação.
A tendência acompanha uma transformação na forma como as pessoas enxergam as viagens. Mais do que visitar um destino, o turista busca experiências alinhadas à própria identidade, aos seus interesses e ao estilo de vida que deseja construir. Uma pesquisa realizada pela Thrillist, em parceria com a Vox Media e a consultoria The Circus, aponta que sete em cada dez integrantes das gerações Z e Millennial consideram as viagens uma forma de autoexpressão.
Nesse cenário, fotografias tradicionais de pontos turísticos passam a dividir espaço com imagens que retratam momentos cotidianos, encontros e experiências locais. A comunicação turística tende a valorizar cada vez mais situações que permitam ao viajante se reconhecer na experiência e associá-la à sua identidade, estilo de vida e sentimento de pertencimento.
O turismo esportivo também aparece entre as tendências em alta. Segundo dados da Getty Images, as buscas por imagens relacionadas a esportes cresceram 48% em comparação com o ano anterior. No mesmo período, as pesquisas pelos termos “Copa do Mundo” e “Olimpíadas” registraram aumento de 500%. Apesar do crescimento do interesse, apenas 8% das imagens relacionadas ao turismo retratam esportes ou experiências esportivas, de acordo com a empresa.
Os números indicam espaço para que as marcas ampliem a abordagem sobre o turismo esportivo, explorando não apenas as competições, mas também aspectos como comunidade, pertencimento e experiências compartilhadas entre torcedores e viajantes. A realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 no Brasil também representa uma oportunidade para o setor desenvolver estratégias de comunicação voltadas não apenas aos jogos, mas a toda a experiência turística proporcionada pelo evento.
A preocupação com os impactos sociais e ambientais das viagens também ganhou destaque no levantamento. Entre os entrevistados, 76% acreditam que as marcas de turismo deveriam promover a conscientização sobre questões sociais e ambientais. Além disso, 82% afirmam gostar de gerar impacto positivo nas comunidades que visitam, enquanto 59% dizem estar dispostos a pagar mais por viagens consideradas sustentáveis.
Para as empresas do setor, os dados reforçam a importância de apresentar ações sustentáveis de maneira concreta, com destaque para a valorização das comunidades locais, escolhas conscientes e experiências culturais autênticas. A tendência também mostra que a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial e passou a fazer parte dos critérios considerados pelos consumidores no momento de escolher destinos e experiências.
Apesar da presença cada vez maior da tecnologia na jornada turística, os viajantes demonstram interesse em equilibrar os recursos digitais com experiências presenciais. De acordo com o estudo, 54% dos entrevistados gostariam de utilizar aplicativos capazes de oferecer recomendações personalizadas, enquanto seis em cada dez consideram que a tecnologia ajuda a solucionar problemas durante as viagens.
Ao mesmo tempo, 60% afirmam se sentir sobrecarregados pelo excesso de informações. Outros 77% dizem buscar mais conexões presenciais do que virtuais, e 60% preferem imagens que mostrem interação humana em vez de tecnologia.
Os dados apontam para uma mudança na forma como o setor deve apresentar destinos e experiências. Em um cenário de maior cautela nos gastos, marcas de turismo podem ganhar relevância ao comunicar viagens de maneira mais próxima daquilo que os consumidores desejam vivenciar.




