VIAJANTE DE 2027 PRIORIZA EQUILÍBRIO, BEM-ESTAR E EXPERIÊNCIAS QUE TRANSFORMAM

Publicado por Luana Maia em 8 de outubro de 2026

Turismo de bem-estar

O viajante de 2027 deve deixar cada vez mais de lado a busca por uma viagem perfeita para priorizar experiências que façam sentido para sua rotina e seus objetivos pessoais. Em vez de preencher todos os momentos com atrações e roteiros previamente definidos, o turista tende a combinar descanso, aventura, espontaneidade, conexão e bem-estar em uma mesma jornada.

A tendência é apontada pelo Hilton 2027 Trends Report, elaborado pela Morning Consult a pedido da Hilton com 14.744 viajantes de 14 países. O estudo identifica cinco movimentos para o próximo ano: Perfeitamente Imperfeito, Equação da Confiança, Jornadas de Crescimento, Wellness Reimaginado e Mindset das Micro Viagens.

Em conjunto, os dados indicam um comportamento que a Hilton define como Grande Reequilíbrio. A proposta é encontrar um ponto de equilíbrio entre escolhas que antes pareciam opostas, como planejamento e espontaneidade, trabalho e descanso, aventura e recuperação.

Mais da metade dos entrevistados, 54%, afirma sentir algum tipo de pressão para ter uma viagem perfeita. Entre os que estão abandonando essa expectativa, 28% preferem deixar espaço para decisões espontâneas durante a viagem, enquanto apenas 18% optam por roteiros completamente fechados.

A flexibilização também aparece na relação com hábitos pessoais. Em vez de manter rigidamente a rotina ou abandoná-la durante as férias, os viajantes demonstram preferência por soluções intermediárias. No chamado comportamento healthy-ish, 27% dos entrevistados afirmam se posicionar entre manter e deixar de lado hábitos saudáveis durante as viagens.

A mesma lógica se aplica às experiências de aventura. Parte dos turistas busca novidades sem necessariamente transformar toda a viagem em um desafio. Ao mesmo tempo, a relação com as redes sociais permanece presente: embora 21% considerem a capacidade de se desconectar um indicador de uma boa viagem, 29% admitem escolher experiências pensando no potencial de publicação.

As viagens solo também ganham espaço, mas não significam necessariamente isolamento. Para 2027, 41% dos entrevistados planejam viajar sozinhos, e 92% deles já tiveram alguma experiência anterior nesse formato. Entre esses viajantes, 31% já fizeram viagens solo para encontrar amigos ou familiares, enquanto 20% reservaram passeios ou excursões em grupo durante a viagem.

Relaxar e recuperar as energias é a principal motivação para 42% dos viajantes solo. Outros 28% buscam reflexão e crescimento pessoal, enquanto o mesmo percentual valoriza a liberdade de construir uma programação mais flexível.

A tecnologia também ocupa um papel importante no planejamento, mas não substitui completamente a confiança gerada pelas relações humanas. Embora 63% dos entrevistados afirmem confiar em ferramentas de inteligência artificial para decisões relacionadas a viagens, apenas 22% confiam na tecnologia para criar roteiros personalizados, 20% para indicar restaurantes e bares e 18% para encontrar experiências locais menos conhecidas.

Nesse cenário, os profissionais do setor continuam relevantes. Setenta por cento dos viajantes consideram funcionários de hotéis fontes confiáveis para recomendações de atrativos. A família aparece ainda mais forte, com 87% apontando familiares como fonte de aconselhamento, enquanto parceiros e cônjuges são citados por 51%.

Os programas de fidelidade também passam a representar mais do que benefícios. Entre os viajantes que possuem status, 64% sentem orgulho desse reconhecimento e 43% associam a condição a uma percepção de sucesso pessoal. Além disso, 38% afirmam que fariam uma viagem especificamente para conquistar ou manter seu status.

Outra tendência identificada pelo estudo é o uso das viagens como ferramenta de transformação pessoal. Para 76% dos entrevistados, ter uma viagem marcada representa um propósito pelo qual trabalhar, enquanto 71% afirmam que uma viagem planejada ajuda a cumprir uma meta pessoal. Depois de viajar, 60% se sentem mais propensos a realizar uma mudança que estavam adiando.

Eventos também funcionam como estímulo para viajar. Shows, corridas, partidas esportivas e festivais motivam 61% dos entrevistados a reservar uma viagem. Já 21% afirmam que experiências relacionadas à música, ao entretenimento e à cultura pop já provocaram mudanças positivas em suas vidas.

Nesse contexto, ganham força as chamadas Growth Getaways, viagens voltadas ao desenvolvimento pessoal e à aquisição de novos interesses. O objetivo deixa de ser apenas aproveitar a estadia e passa a incluir aquilo que o viajante pode levar para casa depois do retorno.

Quase um quarto dos entrevistados, 23%, gostaria de voltar de uma viagem com uma rotina mais saudável que consiga manter no cotidiano. Além disso, 42% afirmam que viajar já os ajudou a descobrir novos interesses ou paixões. Entre a Geração Z, a intenção de retornar para casa com um novo hobby ou interesse é quase duas vezes maior do que entre os Baby Boomers.

As chamadas skillcations também aparecem nesse movimento, com viagens que incluem o aprendizado de habilidades, práticas ou atividades que podem continuar fazendo parte da vida depois da experiência turística.

O bem-estar segue a mesma lógica. Para 65% dos viajantes, experiências capazes de acalmar o corpo e contribuir para a recuperação mental estão entre os principais interesses para 2027. Outros 76% afirmam que viajar permite recarregar as energias de maneiras que dificilmente conseguem em casa.

Experiências relacionadas à água e ao calor também ganham espaço, com 54% demonstrando interesse por atividades de hidroterapia ou wellness durante as viagens. A natureza, a tecnologia e a conexão humana passam a atuar de forma integrada na construção dessas experiências.

Ao mesmo tempo, viajar mais não significa necessariamente passar mais tempo longe de casa. Vinte e um por cento dos entrevistados planejam incluir mais viagens curtas em seus calendários em 2027. Entre as principais motivações estão a possibilidade de viajar de maneira mais espontânea, apontada por 29%, e a facilidade de encaixar as escapadas na rotina profissional, citada por 25% dos trabalhadores que pretendem fazer mais viagens curtas.

No Brasil, 35% dos viajantes consideram curta uma viagem de menos de dois dias. A percepção varia entre os mercados analisados, chegando a 86% no Japão para viagens inferiores a dois dias e a 88% nos Estados Unidos para viagens de até três ou quatro dias.

O conjunto das tendências aponta para um turista que não necessariamente quer fazer mais durante uma viagem, mas escolher melhor como utilizar seu tempo. Descanso, descoberta, conexão, aventura, bem-estar e experiências de curta duração passam a coexistir em uma jornada mais flexível e personalizada.